quinta-feira, 22 de março de 2012

Não brainstormem, discutam!

Antes de ler isto, convém saber isto.

Já aqui se tinha falado da suposta falácia do brainstorming.
Os senhores da Continuum (que também já foram para
aqui chamados anteriormente) sustentam agora que a argumentação e a discussão acesa, a que chamam “discurso deliberativo” são a melhor forma de fazer nascer boas ideias.

As regras são simples: É permitido criticar, não há hierarquia (ninguém ganha), o grupo trabalha para um objectivo comum (suponho que não se discute a propriedade das ideias).
São bem capazes de ter razão.
Artigo completo na FastCo.

Frog FZ 750


Quem gosta de motos e Design achará interessante saber que em 1986 Hartmut Esslinger (da Frog Design) redesenhou uma Yamaha FZ 750 à qual chamou convenientemente "Frog FZ 750". Hoje, a Frog FZ 750 é ridiculamente plástica e volumosa face à magreza das motos actuais, mas nos early eighties, a estética futurística deste protótipo surpreendeu e inspirou outros fabricantes, veja-se a BMW K1 por exemplo.
Faz parte da colecção do SFMOMA (San Francisco Museum of Modern Art).

História completa aqui.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Evolução


A IDSA (Industrial Design Society of América) vai organizar um ciclo de 5 conferências em 5 cidades diferentes nos EUA dedicadas ao tema comum "Evolving Design Practices".

Jason Morris apresenta assim a conferência de Seattle (4 e 5 de Maio) cujo sub-tema é "Breaking Boundaries":

"Os designers industriais estão a atravessar as fronteiras de outras disciplinas, trazendo a sua perspectiva própria e única, utilizando o pensamento criativo e a abordagem centrada no utilizador para resolver problemas. Hoje, o Design industrial influencia diversas áreas, como a política, a interacção, a música, o cinema, a moda e as estratégias de negócios (…)"


Eu diria que os grandes mentores desta evolução foram os designers em busca de oportunidade e não as empresas, ainda que para que tal acontecesse tivesse existido necessariamente abertura à mudança no seio das mesmas e claro, designers capazes e motivados.
Mas ainda assim, a mudança parece ter sido ao nível social e eu arriscaria dizer que produtos como os da Apple tiveram um grande papel nesta revolução.

Tudo isto se passa na América, claro.

CiViTAS Bus


Hoje andei no CiViTAS Bus.
Para quem não sabe, o CiViTAS Bus é um mini-autocarro experimental desenvolvido em parceria pelo INEGI, DESIGNstudioFEUP e STCP que pretende ser uma forma de mobilidade limpa e económica (para já é gratuita) entre o pólo universitário do Porto, Hospital de S. João, FEUP e arredores.
O desenvolvimento de todo o projecto pode ser visto no blog DESIGNstudioFEUP Design Projects.
Tendo como base apenas uma volta ao (curto) percurso, o meu parecer em relação ao CiViTAS Bus é o que se segue:

(+)
Quando vi o CiViTAS aparecer na curva, a primeira impressão que tive (além de o achar mais pequeno do que parecia nas fotos do blog) foi a de que se tratava de um veículo ágil e rápido, com um aspecto radicalmente moderno, mas perfeitamente integrado no contexto urbano.
A ideia de “mobilidade” ficou claramente implícita no primeiro olhar, mas em movimento tornou-se óbvia uma vez que o CiViTAS é quase tão ágil como um automóvel ligeiro.
No interior, apenas o piso é revestido, todo o resto permanece em “cru” revelando a textura da fibra e os reforços de uma estrutura cuidadosamente projectada e executada. O resultado, além da leveza, é uma simplicidade bastante agradável.
O número de lugares sentados e a área para lugares em pé estão perfeitamente equilibrados no espaço interno do veículo e adequados à natureza do percurso, o mesmo se pode dizer da tipologia dos assentos – simples e rígidos.
As barras de apoio disponíveis permitem que o utilizador tenha sempre apoio em qualquer ponto do autocarro (pude prová-lo).
Um olhar atento a alguns detalhes revelou que foram alvo de uma atenção cuidada.
Simples, equilibrado e adequado.

(–)
Apesar das áreas abundantes em vidro fazerem “respirar” o habitáculo, o espaço é na verdade fechado e o ar abafado que se sentia não deixava dúvidas, o sistema de climatização estava claramente “a bombar” e tudo isto teria menos importância se não estivéssemos apenas num dia quente de Março, muito longe do verão.
O triste e desgastado tablier do Toyota Coaster original não está à altura do acabamento cuidado dos restantes pormenores do CiViTAS.

As paragens é que de certeza não pertencem ao mesmo projecto.

A plataforma elevada parece ter sido trabalhada com o mesmo cuidado e atenção ao detalhe com que se faz o palanque de um arraial de província. Materiais reaproveitados? Controlo de custos? A natureza temporária do CiViTAS? Acredito que haja uma óptima explicação, mas o grande problema nem sequer é esse: o facto de haver uma escada para acesso à plataforma e não uma rampa inviabiliza qualquer intenção de acessibilidade, o que acaba por ser um revés na filosofia global do projecto.

Como disse, pode ser visto no blog do DESIGNstudioFEUP e ainda aqui.

terça-feira, 6 de março de 2012

Objectificado


Realizado por Gary Hustwit (o mesmo de Helvetica) e apresentado em 2009, o filme Objectified é essencialmente um documentário sobre Design Industrial.
Fala da relação complexa entre as pessoas e as centenas de objectos fabricados que, sem se aperceberem, utilizam todos os dias. Por extensão fala as pessoas que os criaram.
Disserta sobre as motivações e os processos pessoais dos designers e dos consumidores, fala de identidade, consumismo, sustentabilidade, etc.
Os intervenientes são pessoas Grandes, está tudo dito.

Começa assim:

“Quando vemos um objecto, numa questão de segundos, fazemos tantas afirmações sobre ele: o que faz, quão bem vai fazê-lo, qual é o peso, quanto achamos que deve custar. O objecto testemunha sobre as pessoas que o conceberam, pensaram nele, desenvolveram, fabricaram (...) Cada objecto, intencionalmente ou não, fala de quem o colocou ali.”

Pode e deve ser comprado na loja online a partir do site oficial.

Também está no Youtube, em qualidade ranhosa e legendado por amadores (no mínimo).

Há designers que nunca viram (!).

segunda-feira, 5 de março de 2012

Design Inclusivo


Inclusive Design, Design for All e Universal Design são 3 formas diferentes de dizer a mesma coisa: uma aproximação ao Design em que o designer procura assegurar que os seus produtos (ou serviços) satisfazem o maior grupo possível de utilizadores independentemente da idade ou das limitações físicas.

Dizem os senhores do Design Council que esta filosofia de Design foi impulsionada por dois factores: o envelhecimento da população e o crescente movimento de integração das pessoas com deficiência nos meios sociais.
No fim de contas, o produto/serviço desenvolvido nesta perspectiva acaba por servir melhor a todos os utilizadores acabando por funcionar como integrador de gerações e pessoas.

O Design Inclusivo, Design para Todos, Design Universal ou whatever parece-me uma forma óbvia e necesária de criação de valor (qualidade de vida) através do Design e do re-Design.

Num dos mais importantes núcleos mundiais de educação em Design (Royal College of Arts) e associado ao Design Council, está o Helen Hamlyn Centre for Design, um centro de investigação em Design Inclusivo, em cujo site estão disponibilizadas gratuitamente todas as publicações resultantes do seu trabalho.

Simplesmente imperdível aqui.

A imagem veio daqui.

QWERTY (Update)


O facto de os teclados dos computadores do sec. XXI manterem a configuração do teclado da primeira máquina de escrever da história é uma anormalidade notável em termos de evolução de interface, principalmente se considerarmos que a fórmula QWERTY não tem qualquer razão de ser senão a ineficiência mecânica da primitiva geringonça.
E não é só a ordem estúpida das letras, reparem que até as teclas do vosso teclado continuam desalinhadas tal como na máquina original, só que nesse caso era por causa das alavancas por baixo das teclas... e agora é por causa de quê?

Saibam a história toda aqui.

Tendo em conta a universalização da coisa já não haverá muito a fazer. Agora em relação ao teclado que temos na nossa frente, alguém usa ou sabe para que serve a tecla “Pause Break”? E o “Caps Lock” vale o espaço que ocupa no teclado?
Ousará algum fabricante mexer na “interface universal” (sinceramente espero que sim).

Artigo completo na Slate.

A imagem é da patente americana 207,559 de 1878 e pode ser vista aqui.

Entretanto descobri que os franceses e os belgas ficaram-se pelo AZERTY e que em Portugal houve uma coisa tenebrosa chamada HCESAR (cheguei a ver máquinas de escrever assim).

Todos os layouts de teclado actuais na Wikipedia.

domingo, 4 de março de 2012

Vou ao IKEA comprar uma casa e já volto


Se a IKEA distribuísse os seus móveis já montados a partir da fábrica estaria a expedir contentores parcialmente cheios de ar, o que não seria muito lucrativo. O flat-packing é um dos vários "segredos" do sucesso ($$$$$) dos suecos.
Até aqui nada de novo, todos nós já passámos tardes de domingo a montar estantes e armários.

O que é de facto novo é a casa que a IKEA apresentou no Portland Home and Garden Show. Desenvolvida pela Ideabox, que já faz este tipo de casas há algum tempo, a casa de apenas um quarto é vendida em flat-pack e seguindo a filosofia da loja é suposto ser transportada e montada pelo comprador.

O "IKEA name" desta casa é Aktiv e não me parece que caiba na parte de trás do carro.

Notícia aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Co-work


É certo que ainda está mais ou menos no início, principalmente a norte, mas já existem bons espaços de co-work (há quem escreva Cowork) em Portugal.
São 10 sítios em Lisboa e (só) 4 no Porto, num total de 21 pelo país fora.
Uma secretária, uma sala de reuniões, espaço, pessoas e mais coisas, tudo a preço de amigo. Os co-workers mais frequentes são sem dúvida os designers, depois há os tradutores, os arquitectos, os programadores e os jornalistas. O melhor desta fórmula é sem dúvida o networking interdisciplinar.

Em Co-work Portugal lê-se:

"Trabalhar em casa, sozinho, sem horários, é o sonho de muitos.
No entanto, ao enfrentar esta realidade, rapidamente se perde o ritmo de trabalho, misturando a vida pessoal com a profissional, criando um ciclo vicioso e entediante.
O co-work é a partilha de um espaço, entre profissionais de diversas áreas, com o objectivo de partilhar conhecimentos, mantendo um ritmo de trabalho independente!"

Site do Co-work Portugal.
A foto veio daqui.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Astro Studios


Localizados em San Francisco, dizem-se no epicentro do Design e da tecnologia. De facto em San Francisco há mais designers por metro quadrado que em qualquer outra parte do mundo (Seoul?).

Há algum tempo que sigo o trabalho destes senhores:

"We create multi-dimensional brand experiences that define popular culture. They are functional revolutions wrapped in aesthetic joy. They incite lust and invoke covetous feelings in the non-possessor. They are the seeds from which new industries grow.
All missions possible."

Site oficial dos Astro Studios.