segunda-feira, 12 de março de 2012

CiViTAS Bus


Hoje andei no CiViTAS Bus.
Para quem não sabe, o CiViTAS Bus é um mini-autocarro experimental desenvolvido em parceria pelo INEGI, DESIGNstudioFEUP e STCP que pretende ser uma forma de mobilidade limpa e económica (para já é gratuita) entre o pólo universitário do Porto, Hospital de S. João, FEUP e arredores.
O desenvolvimento de todo o projecto pode ser visto no blog DESIGNstudioFEUP Design Projects.
Tendo como base apenas uma volta ao (curto) percurso, o meu parecer em relação ao CiViTAS Bus é o que se segue:

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Quando vi o CiViTAS aparecer na curva, a primeira impressão que tive (além de o achar mais pequeno do que parecia nas fotos do blog) foi a de que se tratava de um veículo ágil e rápido, com um aspecto radicalmente moderno, mas perfeitamente integrado no contexto urbano.
A ideia de “mobilidade” ficou claramente implícita no primeiro olhar, mas em movimento tornou-se óbvia uma vez que o CiViTAS é quase tão ágil como um automóvel ligeiro.
No interior, apenas o piso é revestido, todo o resto permanece em “cru” revelando a textura da fibra e os reforços de uma estrutura cuidadosamente projectada e executada. O resultado, além da leveza, é uma simplicidade bastante agradável.
O número de lugares sentados e a área para lugares em pé estão perfeitamente equilibrados no espaço interno do veículo e adequados à natureza do percurso, o mesmo se pode dizer da tipologia dos assentos – simples e rígidos.
As barras de apoio disponíveis permitem que o utilizador tenha sempre apoio em qualquer ponto do autocarro (pude prová-lo).
Um olhar atento a alguns detalhes revelou que foram alvo de uma atenção cuidada.
Simples, equilibrado e adequado.

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Apesar das áreas abundantes em vidro fazerem “respirar” o habitáculo, o espaço é na verdade fechado e o ar abafado que se sentia não deixava dúvidas, o sistema de climatização estava claramente “a bombar” e tudo isto teria menos importância se não estivéssemos apenas num dia quente de Março, muito longe do verão.
O triste e desgastado tablier do Toyota Coaster original não está à altura do acabamento cuidado dos restantes pormenores do CiViTAS.

As paragens é que de certeza não pertencem ao mesmo projecto.

A plataforma elevada parece ter sido trabalhada com o mesmo cuidado e atenção ao detalhe com que se faz o palanque de um arraial de província. Materiais reaproveitados? Controlo de custos? A natureza temporária do CiViTAS? Acredito que haja uma óptima explicação, mas o grande problema nem sequer é esse: o facto de haver uma escada para acesso à plataforma e não uma rampa inviabiliza qualquer intenção de acessibilidade, o que acaba por ser um revés na filosofia global do projecto.

Como disse, pode ser visto no blog do DESIGNstudioFEUP e ainda aqui.

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